segunda-feira, 7 de julho de 2008

A Viagem


Excluí os outros posts porque eu sou maluca haha e isso não é novidade. Resolvi começar ou recomeçar do início de minha jornada fora do Brasil, contando tudo que eu lembrar com o senso de humor quando escrevo que só eu tenho (eu poderia ser escritora, mas não escrevo bem hehe).
Nessa foto eu com 23 anos, tinha acabado de passar por mil problemas e perdas irreparáveis (os mais chegados sabem). Fui eu louca pro Canadá, reencontrar meu namorado que eu não via fazia um bocado de tempo. Com a cara, coragem e muito amor, sem falar nada mais que "merci" (obrigado) em francês e com um inglês podre, mas fui. Estava morrendo de medo de viajar de avião por conta do acidente recente que teve nesse ano, e eu sabia que viajaria pelo menos 10 horas naquela coisa gigantesca e pesada que até hoje luto pra entender como se mantém no ar. Tive que ir pra São Paulo porque a Air Canadá, não tinha vôos diretos do Rio, minha mãe, minha madrinha Lúcia e meu tio Zezinho me levaram no Galeão e fingiam que não iam chorar hehe, mas tempos depois soube que as moças se derramaram em lágrimas depois que entrei na área de passageiros hehehe. Cheguei depois de 45 minutos no aeroporto de Guarulhos, e fui pra um hotelzinho de quinta categoria pra esperar porque eu só viajaria à noite e ninguém merece ficar 9 horas num aeroporto (nem dá pra comer de tão caro que é tudo). Minha amiga Ágatha foi se despedir de mim no aeroporto (postarei uma foto no final do post), foi ótimo porque eu tinha ido em sua casa dois meses antes, e eu precisava daquele momento de ciao de alguém próximo, afinal eu não ia só pra outra cidade, estava indo pra outro país. Embarquei num avião da Air Canadá às 21h, rumo a Toronto. Até que é uma boa companhia aérea, mas a comida é medonha, os comissários de bordo uns chatos e impacientes e o café é água pura (cruzes), mas eu sobrevivi.
Depois de 10 horas e alguma coisa, cheguei em Toronto por volta de 7h da manhã e a primeira prova de fogo: A Imigração. Peguei uma agente muito da mal-humorada (também aquela hora da manhã até eu), eu não entendia quase nada do que ela falava e não conseguia dizer quase nada do que queria. Foi quase uma tragédia porque pedi 1 mês de visto de turista, mas na carta do Charles estava 6 meses. Foi difícil argumentar com ela, mas no fim ela me deu 3 meses (no meio) e todos ficaram felizes. Mas depois tive que renovar meu visto temporário por duas vezes, até sair o tão esperado visto de residente. Passando a imigração passei pela segunda prova, encontrar meu portão de embarque pra pegar a conexão pra Montreal, meu destino final. Aquele aeroporto de Toronto é imenso, fiquei pelo menos 25 minutos pra achar meu caminho, perguntando a todos os funcionários com meu inglês tosco, aonde ficava o tal portão hehe, foi engraçado. Achado o tal portão tive que passar pela segurança de verdade (é porque no Brasil a segurança antes de embarcar é uma bosta, comparando com Canadá e EUA). Praticamente tive que tirar toda a roupa (exagero um pouco hehe), casaco, sapato, cinto um horror. Depois de 1 hora de viagem, muito cansada, com minhas pernas em colapso, morrendo de sono e vontade de rever Charles, chego eu em Montreal (pra mim a melhor cidade do Canadá).

Primeiras impressões do Canadá

Quando viajei pro Canadá eu sabia que seria um mundo completamente diferente do qual eu estava acostumada e que eu enfrentaria um frio medonho. Fui eu, achando que estava abafando e que não sentiria nada de frio com meu sobretudo fininho (pra os padrões do país). Saímos do aeroporto e estava somente 9°C que depois vim a descobrir que é quase um calor infernal hehe (isso veio depois de um tempo). Ou seja, ainda nem era inverno e eu já estava prestes a congelar. No Rio estava uns 32°C então imagina o que são 9°C pra cariocas. Sobrevivi à saída do aeroporto até o estacionamento. Charles pegou o carro da nossa roommate meio alugado pra ir me buscar e aproveitamos pra dar um giro inicial pela cidade. Achei tudo tão estranho, prédios residenciais não muito altos, bairro gay, pagar pra estacionar o carro na rua, quanta civilidade e educação, caiu a ficha, pensei: Meu Deus aonde estou? Foi um princípio do famoso choque cultural que começou a dar sinais naquele 24 de outubro de 2006. Comecei a sentir fome e fomos tomar café da manhã às 14h (isso mesmo, o povo aqui toma café até às 15h). Entramos num restaurante muito popular no país chamado Chez Cora, e pedimos. Quando me vem a garçonete com um prato imenso de comida que daria pra uns 3 dias de café da manhã, olhei pro Charles com cara de espanto e perguntei: quem come tudo isso? Ele me respondeu que é normal comida nos restaurantes serem grandes pratos, porque o povo aqui come um pouco mal.
Isso foi apenas a viagem e o primeiro dia no Canadá, fiquem atentos que postarei a continuação dessa jornada com fotos e tudo mais.

À bientôt!

Beijos!


Patricia, a única

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