terça-feira, 8 de julho de 2008

Primeiro Natal no Canadá




No meu primeiro Natal em Montreal não foi dos melhores, tenho que confessar. Primeiramente porque era o primeiro longe da minha família, e depois eu tinha tido um ano tenebroso. Perdi minha tia mais querida Nadir, que me ajudou em muitas coisas, nem tive tempo de agradecer tudo de bom que ela fez por mim. E 15 dias antes da minha tia, minha avó também se foi desse plano depois de muito sofrimento. Nunca tive um ano tão triste como esse de 2006. A única coisa que me aconteceu de bom foi o meu casamento em dezembro, dois dias antes do Natal. Foi no civil só, e no Palácio de Justiça, em Montreal. Um dia antes, tinha sido a festa do trabalho do Charles e o casório foi de manhã no outro dia, ou seja, casamos praticamente bêbados hehe. Até que foi legal, tinha os amigos do Charles e a família dele, me senti meio sozinha nesse dia porque eu não conhecia ninguém além dos meus sogros e minha cunhada. Enfim, era o meu primeiro casamento e de alguma forma me fez sentir melhor ainda que continuei longe do Charles por mais uns meses porque em janeiro ele voltou pra Seattle e eu fiquei em Montreal.


Voltando ao Natal.....
O Natal antigamente era visto como deveria ser: A celebração pelo nascimento de Cristo e toda aquela história que nossos avós contavam, mas o mundo mudou de uma tal forma que as pessoas, independente de religião, não ligam mais pra esse dia. Eu me lembro do último Natal que passei em família, foi em 2005 na casa da minha avó, e ela fazia questão de que rezássemos antes de comer, e ninguém se importava com presentes, o melhor era estar com as pessoas que amamos. De um tempo pra cá, pessoas esqueceram o valor desse dia e só se preocupam com qual roupa vão usar, que presentes vão ganhar, coisas fúteis e que pra mim não fazem sentido. Claro que é legal ganhar presentes, quem não gosta, mas no meu ver tem limite pra tudo. O Natal que passei em Sherbrooke, em 2006 com minha nova família foi o mais perto do que deveria ser sempre em todos os lugares, na minha opinião. Foi super simples, estávamos meus sogros que são divorciados mas passam juntos por causa dos filhos, minha cunhada que é solteira, Charles e eu. Comemos uma comida simples, trocamos presentinhos simples e ficamos conversando até umas horas pra passar o tempo e depois fomos dormir. Quando falei que meu Natal não foi dos melhores nesse ano, queria dizer que foi porque aconteceu muita coisa no decorrer do ano e eu estava longe da minha família, mas eu acredito que fui bem recompensada. Tenho meus sogros que me amam como se eu fosse filha deles e minha cunhada que é como se fosse minha irmã também. Me lembro que mesmo quando não falávamos a mesma língua, nos entedíamos muito bem, eles sempre fizeram esforços pra me ajudar em todos os sentidos, agradeço muito por ter sido tão bem recebida nessa família.

Até muito breve pessoal!
Estou muito inspirada nos últimos dias hehe
Beijos

segunda-feira, 7 de julho de 2008

O Frio - Parte I


Quando cheguei era outono no Canadá, mas quando saí do aeroporto naquela manhã de outubro, imaginei que meu casaquinho brasileiro aguentaria a pancada inicial. Estava exatamente 9°C mas parecia muito abaixo disso porque senti um frio que me lembro ter sentido uma vez na vida lá na minha cidade. Como venho do Rio, que faz calor quase o ano inteiro, até no inverno, senti muito essa temperatura que não era nada em relação ao que peguei depois hehe. No dia em que viajei estava um calor infernal no Rio e em São Paulo também, aonde passei o dia pra espear meu vôo que só era à noite. Agora, imagina sair de 30°C pra 9°C assim sem noção, com um casaco ralé? O meu primeiro pensamento foi em pegar o primeiro avião de volta pro Brasil hehe, mas eu sou muito mais forte do que imaginava e foi só um momento idiota, e passou. Tratei de comprar um casado poderoso e meias mais quentes, toucas, luvas e tudo mais que me ajudasse a sobreviver na "Terra do Gelo" como chamo. Até o fim do ano de 2006 consegui ficar bem com a temperatura, o pior ainda estava por vir, no temido mês de fevereiro......

Primeira Aula


Ando com a inspiração bem longe de mim ultimamente, mas vamos lá.
Cheguei em Montreal dia 24 de outubro de 2006, super cedo. Logo no mês seguinte comecei as aulas de francês que até então era uma língua quase de extraterrestres pra mim. Eu me lembro que estudei um ano na escola quando eu tinha 12 anos, olha quanto tempo faz isso hein, só sabia "merci", "au revoir" e "bonjour". Quando cheguei já tinha matrícula numa escola de línguas College Platon, perto do centro de Montreal. Na verdade eu ia estudar na Université de Montreal, mas meu visto atrasou, pediram mais documentos (e a cor da minha calcinha praticamente). Aí tivemos que cancelar a matrícula lá e procuramos outra. No meu primeiro dia de aula me senti em outro planeta literalmente hehe, meu inglês era muito mais medonho que hoje em dia e o povo falava inglês maior parte da aula que deveria ser toda em francês.Conheci gente de lugares tão diferentes e que conviviam em grande harmonia. Tinha judeus e mulçumanos lado a lado, israelensens e iranianos, enfim uma diversidade de pessoas, achei incrível porque nunca tinha convivido de perto com muitos estrangeiros ao mesmo tempo .Fiquei de novembro à meados de janeiro de 2007 nessa escola e me ajudou muito a ter uma noção da língua, apesar dos pesares. Nessa foto de cima da esquerda para a direita: Nadi, eu, Mariane (a professora argentina) e Jin Sook. A turma estava no intervalo e a maioria foi comer na rua, então não tem o povo todo, mas devia ter pelo menos 25 pessoas dos mais variados países.

Eu volto logo

Preguiça



Estou com preguiça de escrever ultimamente, mas em breve continuo minhas histórias mirabolantes, prometo.


Kiss

Conhecendo Montreal e Sherbrooke


Continuando minha jornada pelo Canadá, vou ao meu primeiro final de semana em Montreal. O Charles ainda estava trabalhando em Seattle e tirou uma semana de férias pra me receber porque eu não conhecia ninguém, não falava francês e tudo mais. Ele me levou pra conhecer o Parc Jean Drapeau, onde fica a Biosphere, e lá íamos no Museu da Hidrologia encontrar seus amigos Serge e Steph, as primeiras pessoas depois do pessoal que divide apartamento com a gente na cidade. Assistimos uma palestra (que não entendi nada de nada), e vimos uma exposição bem legal que estava lá. Incrível como poderíamos aproveitar melhor a água, aprendi a fazer isso um pouco depois que cheguei, mas infelizmente no Brasil o povo não liga. Depois que saímos de lá, Charles e eu resolvemos dar um pulinho no Casino de Montreal, um dos mais conhecidos do mundo. Conseguimos ganhar 20$ naquelas maquininhas de azar hehe e depois resolvemos ir embora porque esse negócio de jogo à dinheiro não é tanto nossa praia.
No outro dia fomos à Sherbrooke, onde moram os pais de Charles (o lugar da foto do post anterior). Chegando na casa do pai, Germain, fiquei feliz ao encontrar uma cachorrinha linda, a Cotie (falecida a pouco), e dois gatos estranhos. O pai do Charles é uma figura, não fala muito mas arriscou um bom dia em português, foi nossa conversa. Ele mora na mesma casa faz bastante tempo, ele continuou lá depois do divórcio do casal. A casa fica na beira de um lago, que Charles chama de Lago do Charles hehe, lindo lugar apesar de ser meio deserto e longe do centro (pra mim um fim de mundo). A mãe, Nicole, mora no centro de Sherbrooke, fica mais na civilização, mas é cidade pequena e eu detesto hehe. Ficamos como 2 horas lá, conversamos com tradução simultânea do Charles, claro, e voltamos para a casa do pai porque lá é aonde temos um quarto pra quando vamos na cidade. A primeira impressão da família foi boa porque me receberam muito bem e minhas expectativas ruins ficaram pra trás (ufa).
Voltamos finalmente pra Montreal, graças à Deus. O lugar é bacana, mas imagina eu que venho de uma cidade louca como o Rio de Janeiro que sozinha tem três vezes mais habitantes, como me senti em Sherbrooke hehe. Montreal fica na província (entenda-se por estado) de Quebéc, mais ou menos 3 horas da capital do país Ottawa. Lá (falo lá porque estou em Paris agora), é uma cidade bem louca pra ser sincera. Pessoas vivem muito para o trabalho, mas quando chega a hora de ir pra casa sai de baixo, não quem os faça trabalhar no fim de semana a não ser uma proposta irresistível de grana hehe. O metrô tem 4 linhas e a cidade é com um quadrado. Se você começa numa rua no lado oeste, vai continuar a mesma até o lado leste, ou seja, impossível se perder. Tive que me virar pra entender o metrô, porque no Rio só tem 2 linhas e eu já me perdia hehe, mas depois de uma semana ficou tranquilo.
Uma semana depois que cheguei, Charles teve que voltar pra Seattle, e começou minha via crucis. Me vi num apartamento com 4 pessoas totalmente desconhecidas e que eu não conseguia entender. Melanie, amiga da minha cunhada, é até divertida às vezes mas é de lua. Houssam, o namorado dela, vem do Marrocos, arranhava meia dúzia de palavras em espanhol, achando que era a minha língua, era o mais legal da casa. Allen, o enfermeiro ou sei lá o que, ele trabalhava numa ambulância, eu quase nunca via, ele só comia comida de lata ou congelada (eca). Simon, o baixinho que é físico, é louco com reciclagem e mal usa água e sabão pra lavar a louça (eeeeeeeeca). Foi nesse lugar que iniciei a nova etapa da minha vida, pelo menos era perto do metrô e de um ponto turístico dos mais conhecidos, o Estádio Olímpico, que foi construído para a Olimpíada de 1976 e que Charles sempre diz que um dia vai cair (kkkkkkk).
Tô cansada de escrever por hoje. No próximo post conto como foi meu primeiro dia de aula de francês, meus colegas de classe e o que mais eu for me lembrando.
Beijos e até breve!


Me =)

A Viagem


Excluí os outros posts porque eu sou maluca haha e isso não é novidade. Resolvi começar ou recomeçar do início de minha jornada fora do Brasil, contando tudo que eu lembrar com o senso de humor quando escrevo que só eu tenho (eu poderia ser escritora, mas não escrevo bem hehe).
Nessa foto eu com 23 anos, tinha acabado de passar por mil problemas e perdas irreparáveis (os mais chegados sabem). Fui eu louca pro Canadá, reencontrar meu namorado que eu não via fazia um bocado de tempo. Com a cara, coragem e muito amor, sem falar nada mais que "merci" (obrigado) em francês e com um inglês podre, mas fui. Estava morrendo de medo de viajar de avião por conta do acidente recente que teve nesse ano, e eu sabia que viajaria pelo menos 10 horas naquela coisa gigantesca e pesada que até hoje luto pra entender como se mantém no ar. Tive que ir pra São Paulo porque a Air Canadá, não tinha vôos diretos do Rio, minha mãe, minha madrinha Lúcia e meu tio Zezinho me levaram no Galeão e fingiam que não iam chorar hehe, mas tempos depois soube que as moças se derramaram em lágrimas depois que entrei na área de passageiros hehehe. Cheguei depois de 45 minutos no aeroporto de Guarulhos, e fui pra um hotelzinho de quinta categoria pra esperar porque eu só viajaria à noite e ninguém merece ficar 9 horas num aeroporto (nem dá pra comer de tão caro que é tudo). Minha amiga Ágatha foi se despedir de mim no aeroporto (postarei uma foto no final do post), foi ótimo porque eu tinha ido em sua casa dois meses antes, e eu precisava daquele momento de ciao de alguém próximo, afinal eu não ia só pra outra cidade, estava indo pra outro país. Embarquei num avião da Air Canadá às 21h, rumo a Toronto. Até que é uma boa companhia aérea, mas a comida é medonha, os comissários de bordo uns chatos e impacientes e o café é água pura (cruzes), mas eu sobrevivi.
Depois de 10 horas e alguma coisa, cheguei em Toronto por volta de 7h da manhã e a primeira prova de fogo: A Imigração. Peguei uma agente muito da mal-humorada (também aquela hora da manhã até eu), eu não entendia quase nada do que ela falava e não conseguia dizer quase nada do que queria. Foi quase uma tragédia porque pedi 1 mês de visto de turista, mas na carta do Charles estava 6 meses. Foi difícil argumentar com ela, mas no fim ela me deu 3 meses (no meio) e todos ficaram felizes. Mas depois tive que renovar meu visto temporário por duas vezes, até sair o tão esperado visto de residente. Passando a imigração passei pela segunda prova, encontrar meu portão de embarque pra pegar a conexão pra Montreal, meu destino final. Aquele aeroporto de Toronto é imenso, fiquei pelo menos 25 minutos pra achar meu caminho, perguntando a todos os funcionários com meu inglês tosco, aonde ficava o tal portão hehe, foi engraçado. Achado o tal portão tive que passar pela segurança de verdade (é porque no Brasil a segurança antes de embarcar é uma bosta, comparando com Canadá e EUA). Praticamente tive que tirar toda a roupa (exagero um pouco hehe), casaco, sapato, cinto um horror. Depois de 1 hora de viagem, muito cansada, com minhas pernas em colapso, morrendo de sono e vontade de rever Charles, chego eu em Montreal (pra mim a melhor cidade do Canadá).

Primeiras impressões do Canadá

Quando viajei pro Canadá eu sabia que seria um mundo completamente diferente do qual eu estava acostumada e que eu enfrentaria um frio medonho. Fui eu, achando que estava abafando e que não sentiria nada de frio com meu sobretudo fininho (pra os padrões do país). Saímos do aeroporto e estava somente 9°C que depois vim a descobrir que é quase um calor infernal hehe (isso veio depois de um tempo). Ou seja, ainda nem era inverno e eu já estava prestes a congelar. No Rio estava uns 32°C então imagina o que são 9°C pra cariocas. Sobrevivi à saída do aeroporto até o estacionamento. Charles pegou o carro da nossa roommate meio alugado pra ir me buscar e aproveitamos pra dar um giro inicial pela cidade. Achei tudo tão estranho, prédios residenciais não muito altos, bairro gay, pagar pra estacionar o carro na rua, quanta civilidade e educação, caiu a ficha, pensei: Meu Deus aonde estou? Foi um princípio do famoso choque cultural que começou a dar sinais naquele 24 de outubro de 2006. Comecei a sentir fome e fomos tomar café da manhã às 14h (isso mesmo, o povo aqui toma café até às 15h). Entramos num restaurante muito popular no país chamado Chez Cora, e pedimos. Quando me vem a garçonete com um prato imenso de comida que daria pra uns 3 dias de café da manhã, olhei pro Charles com cara de espanto e perguntei: quem come tudo isso? Ele me respondeu que é normal comida nos restaurantes serem grandes pratos, porque o povo aqui come um pouco mal.
Isso foi apenas a viagem e o primeiro dia no Canadá, fiquem atentos que postarei a continuação dessa jornada com fotos e tudo mais.

À bientôt!

Beijos!


Patricia, a única