quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Susto

Quando cheguei em Seattle era março, estava acabando o inverno e não era tão frio como no Canadá. A temperatura média era 10°C com aquela chuvinha irritante quase todos os dias. Em abril, foi meu primeiro aniversário fora do Brasil e longe da minha família. Charles me levou pra jantar num restaurante chinês, que adoro, no centro da cidade, mas meu dia não foi tanto de comemoração como nos outros aniversários, álias já não era desde 2006. Mas tentei aproveitar e não deixei Charles perceber que eu não estava totalmente feliz naquele dia. Se não me engano alguns dias depois do meu aniversário, Charles se sentiu mal no meio da noite. Não tínhamos idéia do que poderia ser e eu não podia dirigir pra levá-lo no hospital e nem ele queria acordar o Phill que morava com a gente, então ele ficou sentindo dores o resto da noite. Nossa eu fiquei com medo porque nunca tinha visto alguém chorar tanto de dor como ele estava. De manhã, ele melhorou um pouco e teimoso não quis ir ao hospital. Aí a dor voltou no fim da tarde e fomos nós procurar um médico, sorte que ele conseguiu dirigir ainda. No hospital tudo muito limpo e organizado, primeiro os pacientes passam por um enfermeiro que meio que vê o que eles estão sentindo e depois vão ver um médico. Só que esperamos 3 horas quase até ele ser atendido, nada de diferença pro Brasil. Depois levaram Charles pra uma sala e fizeram exames, depois de mais 2 horas me vem o médico com um espanhol tosco me chamar pra ir encontrá-lo no quarto. Resultado dos exames: pedra nos rins, fiquei logo apavorada porque minha tia Nadir chegou ao ponto de fazer hemodiálise porque perdeu um dos rins, pensei logo no pior. Aí o médico começou a explicar que era uma infeliz de uma pedrinha de 7 milímetros, o que já é considerada como perigosa. E nisso eu ficando mais apavorada. Daí ele falou que provavelmente Charles teria que passar por uma cirurgia, quase infartei né. Bom, nessa noite ele ficou internado e eu também e uma enfermeira me deu travesseiro e cobertor pra domir num sofá no corredor porque o quarto em que ele estava era duplo e tinha um outro paciente. Que chique né, travesseiro e cobertor limpinhos hehe, num hospital. No final das contas Charles resolveu ir pra Montreal fazer a cirurgia porque o seguro do trabalho só cobria emergências e nós não tínhamos e nem temos rsrs 60 mil $ pra pagar isso. Só que ele depois de medicado e ter voltado pra casa, começou a sentir dor e não conseguiu ir pro aeroporto, e encarar 6 horas de vôo com dores seria impossível. E pra ele ter a cirurgia de graça só poderia ser no Canadá, e detalhe: Vancouver era logo ali, só duas horas de Seattle. Eu não podia ir com ele porque meu visto canadense tinha acabado de vencer (tinha entrevista marcado no Consulado do Canadá), então nosso amigo Julien, se ofereceu pra levá-lo de carro com seu fusca azul. Ele fez a cirurgia no mesmo dia e voltou pra casa dois dias depois. Nos livramos de um problemão e uma bela conta pra pagar. Enfim, ele sobreviveu e eu também.
PS. Estou postando sem fotos porque não consigo fazer upload aqui do hotel aonde estou morando. Vou tentar quando sairmos daqui.